É tempo de Copa do Mundo. Gritaria. Verde e amarelo. Cornetas, ou melhor, vuvuzelas. Vibração, torcida em festa, discordâncias, comemorações, e tudo o que um jogo da seleção brasileira traz. Ontem pintei a segunda bandeira do Brasil para a Copa em uma rua. As ruas estão todas enfeitadas e pintadas. Tudo muito lindo.Eu realmente acharia tudo muito lindo não fosse um detalhe. Esse patriotismo todo, que chega assim de forma instantânea é só de quatro em quatro anos. No espaço de tempo entre-copas chega a ser estranho alguém vestido de verde e amarelo, cores essas que nem parecem mais ser da nossa nação, mas somente as cores da seleção brasileira de futebol. A bandeira nacional agora só tem a ver com Copa do Mundo e mais nada. O hino nacional é só a música que cantam antes do 'Brasil' entrar em campo e dar aquela goleada.
Ficamos acreditando nas frases que chegam pela tv e pelas propagandas, coisas do tipo "um país inteiro que se une.." quando na verdade não é nada disso. Não existe sentimento de NAÇÃO nessa terra chamada Brasil. Aqui o que impera é o individualismo, é o "tirar vantagem", é o "se eu estou bem os outros é que se fodam, eu não tou nem aí" e por aí vai. Cadê o país inteiro se unir na hora de reivindicar educação, saúde e salário justo, na hora de exercer a cidadania? Na hora de se preocupar com os jovens que estão afundados na marginalidade, com as crianças que não estão na escola e passam fome, com o pai de família que é assaltado voltando do trabalho? Não existe Brasil nessa hora.
Na música-tema da Rede Globo (¬¬) para a copa de 1994, e tocada até hoje nas chamadas, um verso diz "o toque de bola é nossa escola, nossa maior tradição". Triste isso. Constatar que os brasileiros substituem a escola pela bola não deveria ser motivo de orgulho.
Estou torcendo para que a seleção ganhe a copa, mas se isso acontecer não vai significar pra mim grande coisa. Torço sinceramente com toda a paixão para que o Brasil conquiste uma vitória que seja realmente nossa, que traga benefícios pra mim, para o povo, para a nossa história, para o nosso futuro. E não para uma dúzia de jogadores que já tem tanto dinheiro e nem sabe mais onde guardar.
As pessoas têm que entender que o Brasil vai muito além do futebol, temos uma cultura incrível, músicos maravilhosos que não são valorizados, crianças que não são estimuladas a leitura e a abranger sua criatividade. Jovens que precisam de estímulos e de programas que possam oferecer a eles outros conhecimentos.
ResponderExcluirE o mais incrível de tudo isso, como citou César acima, a maioria de nós brasileiros só demonstramos o orgulho de ser brasileiro de 4 em 4 anos e somente quando o assunto em questão é o futebol. Logo nós que deveríamos valorizar a nossa nação, somos os primeiros a não dar o valor merecido. Espero de coração que um dia isso mude, e quero dizer que um dia eu torci com garra pra seleção, mas quando eu tive consciência de que nós não eramos uma nação e que estavamos um pouco longe disso deixei de dar tanta importância assim ao futebol.